Polícia apreende 300 quilos de álcool gel para acender churrasqueiras sendo vendido para higiene das mãos em Paracambi

Em uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira, 19 de março de 2020, a Polícia Civil apreendeu cerca de 300 quilos de um produto comercializado irregularmente como álcool em gel, em um estabelecimento no centro de Paracambi, na Baixada Fluminense. O material, que na verdade era um acelerador para churrasqueiras, estava sendo vendido como higienizador para as mãos, aproveitando a alta demanda gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Cenário da pandemia e oportunidade para irregularidades

Com a crise sanitária da Covid-19, o álcool em gel tornou-se um item essencial para a prevenção da doença. A escassez em farmácias e supermercados, aliada à corrida por produtos de higiene, abriu espaço para a ação de comerciantes inescrupulosos. Em Paracambi, como em muitas cidades do estado do Rio, a população passou a enfrentar dificuldades para encontrar o produto genuíno, o que motivou a busca por alternativas nem sempre seguras.

A ação policial

Segundo informações da delegacia de Paracambi, as investigações tiveram início após denúncias anônimas de que um comércio na área central estaria vendendo um líquido com cheiro forte e aparência suspeita. Os agentes se dirigiram ao local e encontraram dezenas de galões de 20 litros cada, contendo um gel incolor. Parte do conteúdo já havia sido fracionada em frascos menores, com rótulos impressos caseiramente que imitavam os de álcool gel 70%. No local também foram apreendidas embalagens vazias e notas fiscais que indicavam a compra do material como “gel para churrasqueira”.

A polícia constatou que o produto era vendido a um preço significativamente inferior ao do álcool gel regular, o que atraía consumidores em busca de economia. O proprietário do estabelecimento foi preso em flagrante e encaminhado ao sistema prisional, onde aguarda audiência de custódia.

Riscos à saúde

Testes preliminares realizados pela perícia indicaram que o produto não possuía a concentração de etanol necessária para desinfecção (entre 60% e 80%). Em vez disso, apresentava metanol e outros solventes altamente inflamáveis, comuns em combustíveis para churrasqueiras. O uso desse gel na pele pode causar irritações, alergias, queimaduras químicas e, em caso de absorção, intoxicação grave. O metanol é especialmente perigoso: pode levar à cegueira, danos ao fígado e ao sistema nervoso central. Além disso, por ser inflamável, o produto oferece risco de incêndio, especialmente se armazenado próximo a fontes de calor.

A polícia alerta que a venda de produtos impróprios para consumo ou uso humano configura crime contra a saúde pública, previsto no artigo 272 do Código Penal, com pena de 2 a 5 anos de reclusão. A corporação também investiga a origem do material e a possível participação de outros envolvidos na cadeia de distribuição.

Orientações à população

Para evitar cair em golpes, a orientação é comprar álcool em gel apenas em estabelecimentos confiáveis, como farmácias e supermercados. É fundamental verificar se o produto possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — o número deve constar no rótulo — e se a graduação alcoólica está indicada. Produtos com odor muito forte, consistência aguada ou preço muito abaixo do mercado devem ser tratados com desconfiança.

Em caso de dúvida, o consumidor pode solicitar a nota fiscal e exigir informações do fabricante. Denúncias sobre a venda de produtos irregulares podem ser feitas ao Disque-Denúncia (181) ou à delegacia de Polícia Civil mais próxima. A Vigilância Sanitária municipal também pode ser acionada.

Perguntas frequentes

  • Como identificar álcool em gel falsificado? O produto verdadeiro tem textura consistente, cheiro característico de álcool e rotulagem profissional. Desconfie de embalagens com erros de ortografia, sem informações do fabricante ou com aspecto muito líquido.
  • O que fazer se já comprei o produto apreendido? Suspenda o uso imediatamente. Se houve contato com a pele, lave abundantemente com água e sabão. Procure atendimento médico se surgirem sintomas como vermelhidão, coceira, dor ou dificuldade respiratória. Guarde a embalagem para apresentar à polícia.
  • É seguro usar álcool em gel caseiro? A Anvisa não recomenda a produção caseira, pois é difícil garantir a concentração adequada e a pureza dos ingredientes. Prefira sempre produtos industrializados com registro regular.
  • Como denunciar irregularidades? Ligue para o Disque-Denúncia (181) ou compareça à delegacia de Polícia Civil. Denúncias também podem ser feitas à Vigilância Sanitária municipal de Paracambi.

A apreensão em Paracambi demonstra o trabalho das forças de segurança no combate à venda de produtos que colocam em risco a saúde da população, especialmente em tempos de pandemia. A colaboração da comunidade por meio de denúncias é essencial para coibir esses crimes e proteger a todos.