PM realiza operação no bairro Casinhas, em Paracambi
Na manhã deste sábado, 28 de fevereiro de 2020, policiais militares do 32º Batalhão de Polícia Militar (BPM) realizaram uma operação de grande porte no bairro Casinhas, em Paracambi, na Baixada Fluminense. A ação teve como principal objetivo coibir o tráfico de drogas e outros crimes na região, que vinha sendo alvo de constantes denúncias por parte dos moradores. O bairro, de ocupação antiga e com características residenciais, enfrenta há anos problemas relacionados à criminalidade, o que motivou um planejamento mais estruturado por parte da corporação.
A operação insere-se em um conjunto de ações programadas pelo 32º BPM para o primeiro trimestre de 2020, que contemplam áreas sensíveis nos municípios sob sua circunscrição. Paracambi, por sua localização estratégica entre a BR-116 (Via Dutra) e a RJ-127, é uma rota utilizada por grupos criminosos para o escoamento de drogas e armas entre a capital e o interior do estado. O bairro Casinhas, em particular, vinha sendo monitorado há semanas pelo serviço de inteligência da PM.
Detalhes da operação
De acordo com a assessoria da PM, a operação foi planejada com base em levantamentos do serviço de inteligência da corporação, que identificaram pontos de venda de entorpecentes e circulação de suspeitos no bairro. Durante a ação, os militares montaram barreiras em ruas estratégicas e realizaram buscas em residências e terrenos baldios. O efetivo contou com viaturas e equipes especializadas, incluindo o apoio do Grupamento de Ações Táticas (GAT) e cães farejadores do canil setorial, que auxiliaram na localização de drogas e armas em locões e muros.
O cerco foi montado logo ao amanhecer, estratégia comum em operações desse tipo para surpreender os suspeitos e evitar confrontos com moradores. As vias de acesso ao bairro foram isoladas por pontos de bloqueio, permitindo a revista de veículos e pedestres. Os militares empregaram técnicas de patrulhamento tático em áreas de maior concentração de denúncias, como vielas e becos de difícil acesso para viaturas convencionais.
Moradores relataram que a movimentação começou ainda nas primeiras horas da manhã, com a chegada de várias viaturas e policiais armados. "Foi um susto, mas a gente sabe que é necessário para melhorar a segurança", disse um comerciante local que preferiu não se identificar. Durante as abordagens, os policiais verificaram documentos e revistaram pessoas em atitude suspeita, utilizando algoritmos de reconhecimento facial em pontos fixos para cruzar informações com o banco de dados da corporação.
Resultados da ação
Segundo informações preliminares da Polícia Militar, a operação resultou na apreensão de uma quantidade significativa de drogas — incluindo maconha prensada, cocaína e crack — além de materiais utilizados no tráfico, como balanças de precisão, rádios comunicadores, um veículo com restrição de furto e cadernos de anotações com a contabilidade do tráfico local. Também foram recuperados objetos roubados, como celulares, relógios e eletrônicos que estavam em poder de suspeitos.
Alguns suspeitos foram detidos em flagrante e encaminhados à 92ª Delegacia de Polícia (Paracambi), onde permanecem à disposição da Justiça. Os presos foram autuados por tráfico de drogas, associação para o tráfico e, em alguns casos, por posse ilegal de arma de fogo. A PM não divulgou o número exato de detidos nem a quantidade total de drogas apreendida nas primeiras horas, mas classificou a ação como positiva para a segurança da região. A perícia da Polícia Civil foi acionada para realizar a análise dos materiais apreendidos, que serão utilizados como prova nos inquéritos.
Além do impacto imediato na redução da circulação de entorpecentes, a operação teve um efeito dissuasório sobre pequenos criminosos que atuam na região. De acordo com o comando do 32º BPM, a apreensão de rádios comunicadores representa um golpe importante na logística do tráfico local, já que esses equipamentos são usados para alertar sobre a presença policial e coordenar a movimentação de drogas entre bocas de fumo.
Reação da comunidade
A operação foi bem recebida por grande parte dos moradores do bairro Casinhas, que há tempos reivindicam mais policiamento na localidade. "A gente fica feliz em ver a polícia agindo, mas precisamos que isso seja frequente, não apenas ações isoladas", afirmou uma moradora ouvida pela reportagem. Líderes comunitários reforçaram a importância de um trabalho contínuo de patrulhamento e de investimentos em políticas públicas de segurança que vão além da repressão, como programas sociais, iluminação pública e urbanização de áreas carentes.
Alguns comerciantes relataram que a presença policial inibiu a ação de criminosos ao longo do dia, mas temem que a situação volte ao normal após o fim da operação. "O tráfico não acaba com uma operação. Precisa de inteligência, investigação e, principalmente, de oportunidades para os jovens", opinou um líder religioso da comunidade. A associação de moradores local informou que pretende protocolar um pedido de reforço no policiamento ostensivo junto à Prefeitura de Paracambi e ao comando do 32º BPM, solicitando também a implantação de uma base comunitária de segurança no bairro.
Histórico de operações em Paracambi
Não é a primeira vez que o bairro Casinhas recebe uma operação policial. Paracambi, assim como outros municípios da Baixada Fluminense, enfrenta desafios históricos na área de segurança pública. A PM tem realizado ações pontuais em diferentes bairros da cidade, como Loteamento João XXIII, Areal e Centro, como parte do plano de policiamento ostensivo e de combate ao crime organizado. Nos últimos doze meses, o 32º BPM registrou uma média de duas operações por mês no município, com balanços variando entre apreensões de drogas e captura de foragidos.
A população, no entanto, cobra medidas mais estruturais. A ausência de políticas públicas de longo prazo, como programas de geração de renda, educação integral e lazer para jovens, é apontada por especialistas como um dos fatores que alimentam a criminalidade na região. O município de Paracambi possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da Baixada Fluminense, e a falta de oportunidades acaba empurrando parte da juventude para o mundo do crime. A prefeitura, em parceria com o governo estadual, anunciou recentemente a ampliação do programa "Segurança Presente", mas ainda não há previsão de implantação no bairro Casinhas.
Outro fator que agrava a situação é a geografia do município, cortado pela linha férrea da SuperVia e por rodovias estaduais, o que facilita a fuga de criminosos entre bairros e cidades vizinhas, como Japeri, Engenheiro Pedreira e Mendes. Por isso, as operações conjuntas entre as polícias Militar e Civil são fundamentais para criar um cerco eficaz e impedir a migração do crime organizado entre os municípios da região.
Como denunciar crimes de forma anônima
A Polícia Militar orienta que a população pode contribuir com denúncias anônimas através do Disque-Denúncia (181) ou diretamente com o 32º BPM, pelo telefone (21) 99999-0000 (whatsapp). As informações são mantidas em sigilo absoluto e ajudam no planejamento de futuras operações. Denúncias sobre tráfico de drogas, roubos, armas ilegais e outros crimes podem ser feitas de forma anônima e são fundamentais para o trabalho da corporação.
Além do Disque-Denúncia, a população de Paracambi também pode acionar a Guarda Municipal (153) para ocorrências de menor potencial ofensivo, como perturbação do sossego e pequenos furtos. A orientação das autoridades é que, em caso de flagrante de crime violento, o cidadão ligue imediatamente para o 190 (Polícia Militar) e evite qualquer tipo de confronto direto. Quanto mais informações a polícia recebe da comunidade, mais preciso se torna o planejamento das operações e maior a chance de sucesso sem riscos para os moradores.
Perguntas frequentes sobre a operação nas Casinhas
- O que foi a operação policial no bairro Casinhas?
- Foi uma ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, realizada no dia 28 de fevereiro de 2020, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e a criminalidade no bairro Casinhas, em Paracambi. A operação envolveu efetivo do 32º BPM, com apoio de cães farejadores e equipes táticas.
- Houve prisões?
- Sim, alguns suspeitos foram detidos em flagrante e encaminhados à 92ª Delegacia de Polícia (Paracambi) para prestar esclarecimentos. Os detidos foram autuados por tráfico de drogas e associação criminosa, ficando à disposição da Justiça.
- O que foi apreendido?
- Drogas (maconha, cocaína e crack), balanças de precisão, rádios comunicadores, um veículo com restrição de furto, cadernos de anotações do tráfico e objetos roubados (celulares e eletrônicos) foram apreendidos durante a ação.
- Como os moradores podem ajudar no combate ao crime?
- Através de denúncias anônimas pelo Disque-Denúncia 181, pelo WhatsApp do 32º BPM, ou diretamente na 92ª DP. Todas as denúncias são mantidas em sigilo e ajudam a polícia a planejar novas operações e a prender criminosos.
- A operação foi isolada ou faz parte de um plano maior?
- Segundo a PM, a ação faz parte de um conjunto de operações programadas para a região, baseadas em inteligência e mapeamento de áreas críticas. A corporação informou que novas abordagens podem ocorrer nos próximos dias em outros bairros de Paracambi.
- O que fazer ao se deparar com uma operação policial?
- A orientação é manter a calma, não correr, não filmar os policiais durante a abordagem (para evitar mal-entendidos) e seguir as instruções dos militares. Moradores devem permanecer em casa até a liberação da área.
- Há previsão de policiamento fixo no bairro após a operação?
- Não há confirmação oficial, mas a associação de moradores está negociando com a prefeitura e o 32º BPM a implantação de uma base comunitária ou o reforço do patrulhamento preventivo no bairro Casinhas.